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A mostrar mensagens de abril, 2026

um pingo de desconsolo

 contra o que queria e não tinha contra o que ambicionava e nunca chegava contra o que não sabia e gostaria de saber contra quem eu pretendia e não me procurava uma perseguição em infindável afã do que não era para ser uma luta demasiadamente inglória para ter vida longa é evidente haver aqui  um pingo de desconsolo uma rendição, um alívio  um descanso, um equilíbrio  uma alegria,  por fim.

e o raio da nau ganha raízes

fomos fugindo um do outro fomos fugindo de todos fomos fugindo de nós próprios  até ficarmos sozinhos  agarrados aos mortos e ao que já passou... não nos demos ao trabalho de arranjarmos um da nossa espécie  temos, agora,  como única bandeira uma insignificante folhita de oliveira  que nos priva de quase tudo de avançar, por exemplo, não aprendemos a nadar e temos um dilúvio cá dentro e o raio da nau ganha raízes –  das profundas com braços de torga - que nos devora o cérebro e nos impede de ver o óbvio

o ar entra na gente a luz e tudo

assim com ânimo como quem recorta um quadrado eu própria – parede abri-me – janela os olhos em espanto a boca escancarada os braços – portadas brancas e lisinhas o ar entra na gente a luz e tudo enche-nos o peito de vontades