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fazer muito, com muito pouco

 Só a palavra assusta. Escrever a palavra «cultura» afasta. É enfadonha. Não devia ser, mas é. Ainda acredito que não para a maioria, mas para muitos. Se se colocar a palavra «cultura» perto da palavra «aluno», parece ficar, à partida, o caso mal parado. Ou não…  Vejamos. Por exemplo, apresentemos a seguinte situação. Naquela manhã, entramos num pequeno auditório com lotação para cerca de 230 pessoas sentadas cujo lema é «Teatro para Todos» e cuja premissa é «Com pouco, fazer muito.». Parece ser um princípio nobre e modesto, mas, tendo em conta o pouco valor que o nosso país dá à cultura, é um princípio arriscado, apesar de corajoso. Um esforço gigante de alguns teimosos que cismam em levar o barco a bom porto. Ora, como todos sabem, o teatro não vive, sobrevive. A maioria das famílias não vai ao teatro. Vai ao futebol, vai ao shopping e, com sorte, vai ao cinema. Não vai ao teatro. Não aguenta. Não tem paciência. Não gosta. Não sabe se gosta. Tem receio de não perceber. Não f...
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forma orquestral

A manhã que quer ser  primavera à força no coração do inverno com seus lençóis brancos estilhaçados pelas ondas nas rochas liberta-se em furor  e, de forma orquestral, confunde-me é espuma e fogueira ao mesmo tempo Irrompo em palmas nesta varanda de onde vislumbra o meu coração todo este cenário em primeira mão.

esta mesa pode ser reino

aos corpos que se inclinam aos olhos nos olhos uma disposição, uma sede às palavras que se partilham que são pão para a nossa boca esta  mesa pode ser reino mas não é para qualquer um porque há uma exigência aqui que é tempo de qualidade ter paciência para ouvir ter coragem para estar e sentir

a certeza dos minutos programados.

Andamos presos ao hábito.  Traçamos de manhã à noite trajetos certos e fáceis,  daqueles de serem feitos de olhos fechados.  Calhou-nos em sorte um sítio, um clã, um nome e reinamos, dando ares de estabilidade,  marionetas de vidas perfeitas, impecáveis,  com horas para tudo.  Damos pouco,  almejamos quase nada  e recebemos em apatia a certeza dos minutos programados. 

bípede sem plumas

Dai-me um espaço amplo onde se concretize o trânsito. Dai-me o caos para que se crie. Um excesso de matéria estagnada onde a mudança germine.

e um sol poente; uma neve branca/ e uma água cristalina a seguir

a realidade é como é e nem sempre é grande coisa se não for a nossa capacidade de a melhorar ( o título é de Alejandro Simón Partal)

três de uma tarde molhada

esmagar uma erva entre as mãos faz subir um cheiro encantado experimenta: ervas de cheiro, um cuidado o tomilho, o alecrim, o manjericão a cidreira, a hortelã, a lavanda nem sei se é tacto se visão  se de olfacto se trata se sabor ou isto tudo misturado

horárias, intensas ou vagas

horárias, intensas ou vagas dadas as razões mais difusas um susto que nos afasta o sentido o que não se sente ou se sente demasiado um lusco-fusco por vezes ou claridade o útil tão próximo às vezes quase nada são as razões tantas que nos encobrem edificações interiores que vão martelando matéria estanque  - e no entanto –  correm nas veias, macerando-nos  a carne

não é este o mar que eu canto oh! como está triste o areal

já foste leito, divã, berço de embalar, lençol de seda príncipe no reino das manhãs, convite à entrada já foste palco de serenidade espalhando maresia uma bebedeira de azul , luz na minha pele mas, hoje, encontrei-te num enjoo brutal cuspiste, abriste a goela,  verteste o vómito desenfreado escancaraste neste areal todas as provas do meu, do nosso crime que já não consegues mais esconder, estás farto de sofrer