Não tenhas receio de admitir que aprecias. Até porque há que exercer os sentidos enquanto sentem. E o que é bonito é para se ver. Esta é a tua cena. Não por ser cor de rosa nem por ter flores no seu peitoril mas por estar a sorrir para quem passa na rua. Não indiferente, mas com uma predisposição inata para olhar e ver e para ser vista. Surge flagrante, de pálpebra semi cerrada. Eficaz na forma como te alcança.
Só a palavra assusta. Escrever a palavra «cultura» afasta. É enfadonha. Não devia ser, mas é. Ainda acredito que não para a maioria, mas para muitos. Se se colocar a palavra «cultura» perto da palavra «aluno», parece ficar, à partida, o caso mal parado. Ou não… Vejamos. Por exemplo, apresentemos a seguinte situação. Naquela manhã, entramos num pequeno auditório com lotação para cerca de 230 pessoas sentadas cujo lema é «Teatro para Todos» e cuja premissa é «Com pouco, fazer muito.». Parece ser um princípio nobre e modesto, mas, tendo em conta o pouco valor que o nosso país dá à cultura, é um princípio arriscado, apesar de corajoso. Um esforço gigante de alguns teimosos que cismam em levar o barco a bom porto. Ora, como todos sabem, o teatro não vive, sobrevive. A maioria das famílias não vai ao teatro. Vai ao futebol, vai ao shopping e, com sorte, vai ao cinema. Não vai ao teatro. Não aguenta. Não tem paciência. Não gosta. Não sabe se gosta. Tem receio de não perceber. Não f...