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por hoje, já chega

Hoje, apeteceu-me uma daquelas fotos instagramáveis. A chamada selfie para comemorar a solidão dos nossos tempos. Podia ter sido uma fotografia a cores, mas achei que o preto e branco é muito mais elegante e permite esconder as (poucas) rugas que se desenham nalguns pontos do rosto. Poderia ter tirado os óculos, mas pensei que assim ficava mais cool, vaporizando-vos com um certo cheiro a verão. Sei que poderia ser um retrato de corpo inteiro, mas isso obrigaria a uma ginástica laboriosa, colocando o dito telemóvel no ponto exato, no ângulo certo de forma a corrigir os pontos fracos e enaltecer os pontos fortes e não há pachorra nem ciência para tais cálculos. Sei que podia ter jogado uma última cartada como a de um cenário idílico, desses de criar inveja miudinha a alguns… mas pensei que...  por hoje, já chega.
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Assento portátil e dobrável projetado para uso em ambientes leves

Sou a que sabe que é primavera quando sou chamada a entrar em cena. Sou ali colocada num ponto - chave e sou convidada a ver a marcha do mundo. Sou dada à luz e exposta a perfumes.  Sou farol, sou plateia, sou posto de controlo. Ganho braços e pernas e ouço os sons de tudo.  Sou assento. Sou centro de paz. Tenho-a por minha companhia  - aí vem ela, aí vem ela, só ela me cabe! Vem como água que se infiltra. Vem como hera que se enlaça.  Vem com alegria. E instala-se.

esta mão que escreve e sente vai dizer Poesia/ como se fosse alimento que sacia e deixa semente

Tem sido local de encontro. E há um grupo de pessoas que naturalmente se procuram em nome da Poesia. Todas as quartas feiras, às vezes sábados, há um caminho certo. Leva-se connosco a palavra, aprende-se e escolhe-se a forma de a dizer. A palavra aproxima e ganha corpo nas vozes que a sentem e a deposita em cada movimento. E aos poucos, vai surgindo muito mais que o texto. Surge a amizade entre aqueles que a vivem. Surge a cumplicidade e a partilha. O palco ganha luz e som. Surge a magia entre aqueles que a partilham e aqueles que a acolhem. (um agradecimento à Biblioteca Municipal de Matosinhos, ao Exemplo Extremo, à Ana Celeste Ferreira, ao Isaque Ferreira, ao Alfredo, à Isabel, ao Jorge, à Marlene, à Eugénia, ao Pedro, ao Laboratório Boca em Flor, à Carla Tavares que, ontem, esteve magnífica, ao Rui Coutinho, com a sua voz retumbante…obrigada pelos momentos mágicos que me têm proporcionado e pela Poesia dos dias)

just a perfect day

digo-te coisas novas com a língua coisas que voam e são vermelhas ou azuis ou quentes ou com as mãos que te apanham em branco e com espanto digo-te coisas que vivem por dentro de nós  quando dançamos

Um brinde às otárias, totós e trouxas

Dizem que com a experiência se aprende. Pois...dizem. Cá para mim, sou seguidora teimosa do "otaritarismo", "tótóísmo", "trouxismo". Passo a, tentar, contextualizar. "Tem calma!" "Não vale a pena chateares-te!" "Ninguém muda nada!" "Deixa lá!" "Pára de refilar, reclamar!" "Sei que tens razão, mas..." "De que adianta andares com essas coisas?" ...ou seja, cala, come e vegeta...ou então, não ouças, não vejas, não comentes. É aqui que sou seguidora da "trilogia do bobo", porque, certamente com as melhores das intenções, te advertem de que não és ninguém e que, por mais que reivindiques aquilo que consideras justo, são causas perdidas, impossíveis de superar. O.K., podemos equacionar o que consideramos justo. A nossa humanidade assenta em parâmetros que, filosofica e supostamente, nos distinguem no reino animal, vulgo, conhecidos e apregoados como valores, virtudes e afins. A prior...

e vou curtindo o sol enquanto dura

acima de mim milhões de cabeças neste chão um desenho de artérias trago o corpo cheio de sinais e vou curtindo o sol enquanto dura

1840

 Lançou-se              em diagonal                                   direto.                                           Alojou-se                                                         no meu ombro                                                                                 direito.

encontro

Lembrei-me como era urgente marcar um encontro comigo mesma, naquele sítio bonito que só eu mereço, escolhido de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir na minha forma de respirar sei que é irremediável o que, em certo ponto da vida,  temos para dizer a nós próprios na sua forma mais pura e bela a confissão mais exata, mas também a mais absurda e profunda. ( ligeiro desviar do remetente na carta esboço de Nuno Júdice)

para olhar e ver e para ser vista

Não tenhas receio de admitir que aprecias.  Até porque há que exercer os sentidos enquanto sentem.  E o que é bonito é para se ver.  Esta é a tua cena.  Não por ser cor de rosa nem por ter flores no seu peitoril  mas por estar a sorrir para quem passa na rua.  Não indiferente, mas com uma predisposição inata para olhar e ver e para ser vista.  Surge flagrante, de pálpebra semi cerrada.  Eficaz na forma como te alcança.