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horárias, intensas ou vagas

horárias, intensas ou vagas dadas as razões mais difusas um susto que nos afasta o sentido o que não se sente ou se sente demasiado um lusco-fusco por vezes ou claridade o útil tão próximo às vezes quase nada são as razões tantas que nos encobrem edificações interiores que vão martelando matéria estanque  - e no entanto –  correm nas veias, macerando-nos  a carne
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não é este o mar que eu canto oh! como está triste o areal

já foste leito, divã, berço de embalar, lençol de seda príncipe no reino das manhãs, convite à entrada já foste palco de serenidade espalhando maresia uma bebedeira de azul , luz na minha pele mas, hoje, encontrei-te num enjoo brutal cuspiste, abriste a goela,  verteste o vómito desenfreado escancaraste neste areal todas as provas do meu, do nosso crime que já não consegues mais esconder, estás farto de sofrer

(cumprindo a lei da inevitabilidade)

Da vidraça, pensava eu, que ambos assistíamos ao aleatório deslizar de umas quantas gotículas. (cumprindo a lei da gravidade) Foi então que disseste: - Tens uns olhos…! Nessa hora percebi que enquanto os teus fixavam os meus, andavam os meus alheados.  Foi assim que os nossos olhos entraram em rota de colisão e desenhamos carreiros incertos pela janela abaixo. (cumprindo a lei da inevitabilidade) Estava o chá quente e o colo. È que nem sempre os dias são tristes. Às vezes, são só frios à espera de algo que os aqueça.

e, hoje, no entanto, amanheceram pássaros trinando…

andam pardacentos os dias são cavalos indomáveis os rios choram as árvores e tudo à volta e, hoje, no  entanto,  amanheceram pássaros trinando… subitamente, o riso, a alegria dos moços brincando...

escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica

são nossos todos os lugares quando sentidos nem que seja breve instante um fundo respirar de chão um leve olhar de ave como quem diz «também faço parte» basta  corpo a atravessar um coração a pulsar para que o espaço leve com a tua assinatura

E porque é que não nos podemos movimentar no Tempo como nos movimentamos nas outras dimensões do Espaço?

eu mais à frente já não tanto passado mas presente com visões de esperança acolhendo quem se lembra sempre esta é a única viagem possível no tempo ( o título é um excerto do livro « a máquina do tempo» de H.G. Wells)

Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma perfeição especialista em fracassos

a que era quem mal sabia contar a que confundia patos com perdizes do mar a que andava sempre ao deus dará (o título é de Ana Hatherly)

ponto exato

não a dispas por completo deixa-lhe um leve rasto naquele ponto exato  onde todos recomeçam a pensar  que a única folha não varrida pelo vento é vermelha: seja  resquício de natal seja anseio estival

Por isso cada inverno, a magnólia espera que a flor aconteça.

A infância só termina quando aprendemos que a morte se alimenta da vida. E recomeça quando descobrimos que é afinal a vida  que se alimenta da morte. Por isso cada inverno, a magnólia espera que a flor aconteça. (José Rui Teixeira)