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e o raio da nau ganha raízes

fomos fugindo um do outro fomos fugindo de todos fomos fugindo de nós próprios  até ficarmos sozinhos  agarrados aos mortos e ao que já passou... não nos demos ao trabalho de arranjarmos um da nossa espécie  temos, agora,  como única bandeira uma insignificante folhita de oliveira  que nos priva de quase tudo de avançar, por exemplo, não aprendemos a nadar e temos um dilúvio cá dentro e o raio da nau ganha raízes –  das profundas com braços de torga - que nos devora o cérebro e nos impede de ver o óbvio
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o ar entra na gente a luz e tudo

assim com ânimo como quem recorta um quadrado eu própria – parede abri-me – janela os olhos em espanto a boca escancarada os braços – portadas brancas e lisinhas o ar entra na gente a luz e tudo enche-nos o peito de vontades

vagabundos

só que a voz e, sobretudo,  a cabeça e os pés, estão em trabalho temporário optaram por atalhos e artifícios vários anda errante, mas ileso, sem pensar muito em itinerários 

por hoje, já chega

Hoje, apeteceu-me uma daquelas fotos instagramáveis. A chamada selfie para comemorar a solidão dos nossos tempos. Podia ter sido uma fotografia a cores, mas achei que o preto e branco é muito mais elegante e permite esconder as (poucas) rugas que se desenham nalguns pontos do rosto. Poderia ter tirado os óculos, mas pensei que assim ficava mais cool, vaporizando-vos com um certo cheiro a verão. Sei que poderia ser um retrato de corpo inteiro, mas isso obrigaria a uma ginástica laboriosa, colocando o dito telemóvel no ponto exato, no ângulo certo de forma a corrigir os pontos fracos e enaltecer os pontos fortes e não há pachorra nem ciência para tais cálculos. Sei que podia ter jogado uma última cartada como a de um cenário idílico, desses de criar inveja miudinha a alguns… mas pensei que...  por hoje, já chega.

Assento portátil e dobrável projetado para uso em ambientes leves

Sou a que sabe que é primavera quando sou chamada a entrar em cena. Sou ali colocada num ponto - chave e sou convidada a ver a marcha do mundo. Sou dada à luz e exposta a perfumes.  Sou farol, sou plateia, sou posto de controlo. Ganho braços e pernas e ouço os sons de tudo.  Sou assento. Sou centro de paz. Tenho-a por minha companhia  - aí vem ela, aí vem ela, só ela me cabe! Vem como água que se infiltra. Vem como hera que se enlaça.  Vem com alegria. E instala-se.

esta mão que escreve e sente vai dizer Poesia/ como se fosse alimento que sacia e deixa semente

Tem sido local de encontro. E há um grupo de pessoas que naturalmente se procuram em nome da Poesia. Todas as quartas feiras, às vezes sábados, há um caminho certo. Leva-se connosco a palavra, aprende-se e escolhe-se a forma de a dizer. A palavra aproxima e ganha corpo nas vozes que a sentem e a deposita em cada movimento. E aos poucos, vai surgindo muito mais que o texto. Surge a amizade entre aqueles que a vivem. Surge a cumplicidade e a partilha. O palco ganha luz e som. Surge a magia entre aqueles que a partilham e aqueles que a acolhem. (um agradecimento à Biblioteca Municipal de Matosinhos, ao Exemplo Extremo, à Ana Celeste Ferreira, ao Isaque Ferreira, ao Alfredo, à Isabel, ao Jorge, à Marlene, à Eugénia, ao Pedro, ao Laboratório Boca em Flor, à Carla Tavares que, ontem, esteve magnífica, ao Rui Coutinho, com a sua voz retumbante…obrigada pelos momentos mágicos que me têm proporcionado e pela Poesia dos dias)

just a perfect day

digo-te coisas novas com a língua coisas que voam e são vermelhas ou azuis ou quentes ou com as mãos que te apanham em branco e com espanto digo-te coisas que vivem por dentro de nós  quando dançamos

Um brinde às otárias, totós e trouxas

Dizem que com a experiência se aprende. Pois...dizem. Cá para mim, sou seguidora teimosa do "otaritarismo", "tótóísmo", "trouxismo". Passo a, tentar, contextualizar. "Tem calma!" "Não vale a pena chateares-te!" "Ninguém muda nada!" "Deixa lá!" "Pára de refilar, reclamar!" "Sei que tens razão, mas..." "De que adianta andares com essas coisas?" ...ou seja, cala, come e vegeta...ou então, não ouças, não vejas, não comentes. É aqui que sou seguidora da "trilogia do bobo", porque, certamente com as melhores das intenções, te advertem de que não és ninguém e que, por mais que reivindiques aquilo que consideras justo, são causas perdidas, impossíveis de superar. O.K., podemos equacionar o que consideramos justo. A nossa humanidade assenta em parâmetros que, filosofica e supostamente, nos distinguem no reino animal, vulgo, conhecidos e apregoados como valores, virtudes e afins. A prior...

e vou curtindo o sol enquanto dura

acima de mim milhões de cabeças neste chão um desenho de artérias trago o corpo cheio de sinais e vou curtindo o sol enquanto dura