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A mostrar mensagens com a etiqueta Folhetim de Andrómeda

A Matilha

O formigueiro acumulava sentimentos há muito resguardados numa gaveta poeirenta das memórias... MI espreita, sempre pronto a fustigar a insegurança de Andrómeda... Ela sabe que, perante a nova fornada de Reclusos iria, mais uma vez, passar pelo escrutínio do passado. Enfim, já devia de estar habituada, mas a vida é mesmo assim,...experiências construídas por e com experiências. Dentro do gabinete, olha para o seu cacto e sente-se tão só quanto ele...Não podia esquecer-se de o colocar no parapeito para apanhar um pouco de sol. Propósito que agenda  para depois, agora não lhe apetece. Levanta-se, pega na resma de processos (o cartão ainda cheira a novo!) e dirige-se para a Sala da Matilha, nome que interiormente dá à sala onde trabalha com os  Reclusos. Passa pelos Colaboradores com indiferença. Hoje não está para grandes afabilidades ... Alguns cumprimentam outros não. "Quero lá saber!"... A Loucura sussurra "Ó moça, assim não vais fazer mais amizades...". Que

Andrómeda, Dois Dentes de Ouro

Andrómeda, Dois Dentes de Ouro, trabalha numa prisão como Terapeuta de Grupo. Do sexo feminino, mas dada a Maria-Rapaz , mede 1,70, tem cabelo  branco, liso e escorrido, corpo escanzelado e veste de forma negligente (que se lixem os estereótipos!). Nasceu com dentes de ouro, dois incisivos centrais, que condicionaram a sua vivência. Enquanto embrião, foi desejado mas desiludiu por ser Femina ...Velhos (pre)conceitos, no entanto, ainda tão actuais: rapazolas precisam-se! Por ora, e estando em constante actualização mediante as necessidades contextuais, ela lida com as personagens que se apresentam: - Reclusos - conhecidos por números (não há interesse em saber o nome), provenientes de vários estratos e condenados por crimes vários; - Guardas Prisionais - os bons são os Verdes, os maus os Cinzentos; - Gabinete 14 - local de trabalho na prisão; - Mestre Interior - também conhecido por MI, é o passado, o presente, o futuro; - Colaboradores - todos os anónimos, homónimos, sin

Recluso 269

Andrómeda está inquieta. Sabe que tem algo para fazer, mas não se consegue obrigar a agir. A inquietude já há algum tempo que se manifesta. Sonhos agitados e tenebrosos recordam-lhe o passado que, ironicamente, o Mestre Interior, reescreve de forma cruel e real… Andrómeda sabe que terá de fazer algo… Levanta-se. De que adianta manter-se num limbo em que o Mestre Interior, MI, brinca e manipula a sua razão e emoções? Mais vale tomar um café e fumar um cigarro. O.K., duas toxinas que, e dá jeito a Andrómeda contrariar MI,  já foram medicina e moda. Andrómeda não quer saber. Mas, o mal estava feito, a recordação estava de volta. Fechou os olhos e revive a cena arquivada da adolescência. Casa de banho. Grupo de Femina . Fumo espesso, malcheiroso e sufocante. O ritual iniciático estava em curso. Andrómeda, escanzelada e pálida, onde somente os dois dentes tinham cor, tenta novamente “travar” o fumo do cigarro. Engasga-se e tosse. Os incentivos renovam-se “Tu consegues!”, “Já sabe